Arte: Benito Quinquela Martín, um pintor portenho

Por Daiana Zubowicz
 "Porteño" é a pessoa nascida em Buenos Aires, Capital Federal e sua origem vem do fato de que a cidade foi e continua sendo uma cidade portuaria. O pintor Benito Quinquela Martín foi o grande pintor do porto, do bairro mas portuario de Buenos Aires, La Boca. Suas obras são um canto ao trabalhador do porto, à vida dura dos imigrantes que terminavam sua viagem neste bairro às margens do Río de la Plata. 
Benito Quinquela Martín nasce em 1 de março de 1890 embora não se saiba a data exata porque foi abandonado e deixado em um orfanato. Seis anos depois seria adotado pela familia Chinchella, cujo sobrenome seria espanholizado para Quinquela, conformada pelo pai Manuel, um robusto italiano que trabalhava carregando e descarregando carvão no porto de La Boca, e sua mãe,  Juana, de sangue indígena. Benito terá uma relação muito próxima com sua mãe e uma relação tenra dentro dos padrões e visões de um pai com fortes tradições e costumes de sua própria criação na Italia. Benito estuda até a terceira serie quando a situação econômica da familia piora e deve começar a trabalhar. Ao longo da sua infancia e adolescência ajudará aos pais vendendo, cargando e descarregando sacos de carvão. Durante a adolescência começa a desenhar a paisagem com a qual convivia e aos poucos busca em cursos populares os conhecimentos técnicos que não tinha e em bibliotecas, o conhecimento formal das escolas. Também por esta época começam os protestos e lutas dos trabalhadores, em sua maioria imigrantes explorados pelos patrões e um Benito ainda adolescente vê na política uma forma de conseguir melhores condições de vida. Participa de discussões políticas enquanto continua seus estudos informais de pintura. Lê ao francês Augusto Rodin que instiga aos novos pintores a pintar "sua aldeia e assim pintar o mundo" e Quinquela Martín seguirá essa máxima até o fins do seus dias. Com 17 anos entra no Conservatorio Pezzini Stiatessi onde conseguirá melhorar sua técnica. 
Sua obra foi sendo reconhecida aos poucos chegando até os ouvidos do presidente da Argentina, Marcelo T. de Alvear, e através do apoio dele, Quinquela Martín viaja por Europa e Estados Unidos, onde sua obra foi bem recebida embora no seu próprio país as críticas estivessem divididas entre quem acreditava que sua falta de técnica fazia dos quadros trabalhos amadores e aqueles que admiravam as cores fortes e as imagens portuarias. 
Ao longo da sua vida sempre foi coerente com o que ele acreditava: a arte como forma de expressão do ser humano e como ferramenta de denúncia e representação daqueles que não eram ouvidos. Sempre em La Boca, comprou terras que doou para a construção de um centro odontológico, um espaço onde mães voluntárias pudessem dar de mamar aos órfãos e uma escola- museu que seria também seu lar entre outras coisas. Um ano antes de morrer,  ele encarregou um caixão para ser enterrado e o pintou com cores vivas e alegres dizendo que "Quien vivió rodeado de color no puede ser enterrado en una caja lisa". Antes de morrer, também casou-se com sua assistente de toda a vida, Alejandrina Marta Cerruti, quem em 26 de janeiro de 1977 se transformaria na única herdeira de todas suas obras. 
ATIVIDADES
1) Baixe a atividade e as respostas AQUI. 
2) Observe os quadro e una os nomes das cores com as cores da imagem. 
3) Dúvidas? Perguntas? Escreva para info@clubedoespanhol.com.br


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